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sexta-feira, 24 de julho de 2009

REENCONTRO


Há muito tempo, em terras distantes um viajante caminhava por caminhos sombrios.
Era mascate e pressentia no ar uma estranha energia, talvez viesse da aldeia que já estava bem próxima, não se sentia bem com aquela energia, tanto ela lhe chamava como lhe causava um sentimento de saudades, mas nada podia fazer a não ser esperar pelos acontecimentos.
Entrou na aldeia quando já havia escurecido, imediatamente procurou uma pousada, o lugar era bem simples, mas a limpeza era evidente, animou-se, a senhoria também era muito simpática, com seus alvos cabelos e olhos bondosos, mas determinados impunha imediatamente respeito.
Pensou consigo afinal talvez estivesse enganado, ali não via perigo nenhum. Acomodou-se em seu aposento, caindo na cama, dormindo como uma pedra.
Sonhou, em seu sonho aquela pousada era rica, na verdade era uma imensa propriedade, o alpendre mais parecia um imenso carramachão. Havendo poltronas do estilo preguiçadeira, ali uma jovem senhora bordava a sua volta um menino de uns cinco anos brincava.
De repente o menino se afasta, corre acompanhando uma pomba que ora voava baixo, ora pousava e ciscava aqui e ali.
Tão distraído estava, que se esqueceu das ordens da mãezinha, indo parar atrás da casa e em um vôo mais longo da avezinha, o menino olhando para o céu para não perdê-la, caí em velho poço já há muito desativado.
O mascate acorda apavorado, a jovem mãe lhe é familiar, lembra-lhe os traços da idosa senhoria, pensou sonho é sonho bobagem, mas o mesmo não lhe saia da cabeça.
Os dias se passam e ele apesar de não estar fazendo grandes vendas, continua ali. Sendo muito só, criara um forte laço de amizade com a senhora aparentemente tão só quando ele. Estava cansado da vida de mascate, fazia isto a dez anos, deste os dezenove anos quando seu pai falecera, a mãe havia morrido por ocasião de seu nascimento, já ajuntara algum dinheiro para abrir pequeno comércio, só não sabia aonde.
Certo dia após o jantar, ele e a velha senhora, estavam a conversar, ele lhe conta sobre a sua intenção, ela sorri satisfeita, diz-lhe quem sabe não poderia ser aqui, também sou só, ele tem suas dúvidas afinal a pequena aldeia não era promissora, mas com dó da senhora, lhe promete estudar a questão.
Não chegara ainda a pensar sobre o assunto quando a senhora adoece, nada muito sério, mas para a sua idade estando perto dos setenta anos, rapidamente prostou-se à cama, ele desdobrou-se em cuidados, tendo ouvido o médico da aldeia sabia que seria passageiro, mas a recuperação seria lenta, ofereceu-se para qualquer coisa que precisa-se referente a hospedagem, que só contava com uma empregada.
Desta forma quando a senhora levantou-se tudo caminhava muito bem, ela então agradecida disse-lhe que havia sido seu único filhinho que o mandara, conta-lhe emocionada que o marido morrera cedo em disputa de terras e ela ficara só com o filhinho, mas que o destino o levara um dia em baixo de seus olhos, ali na frente aonde antes era um alpendre, ele sumira, nunca o haviam encontrado, sonhava muito com ele até o décimo quinto aniversário de seu sumiço, quando então no último sonho ele lhe dissera, - Mãezinha não chore mais, Jesus cuidará da senhora e quando eu tornar a crescer, darei um jeito de encontrá-la, a senhora saberá que sou eu, tudo se esclarecerá, desde então nunca mais sonhara com ele, apenas parou de esperar notícias, entendera que naquele dia de alguma forma ele morrera, onde estaria o corpo era um mistério.
Compenetrada que estava em seu relato não reparou o que acontecia com o rapaz, quando voltou à realidade espantou-se pois muitas lágrimas escorriam pelas suas faces, ele emocionado revelou-lhe o sonho, ela abismada lhe disse haver um poço destes rente ao chão no fundo da casa, aonde aliás agora estava construído uma espécie de depósito, construção de madeira.
Mal dormiram durante a noite, antes do galo cantar estavam de pé, chamaram alguns homens e puseram-se a destruir o piso do depósito, logo acharam o poço, alguns homens desceram com lanternas, e logo por debaixo de algumas pedras, um pequeno esqueleto, pedaços de couro do que deveria ter sido os sapatos, logo tiveram a certeza era o esqueleto de um menino, que pelo crescimento ósseo e arcada dentaria teria uns cinco anos.
Desnecessário descrever a emoção daqueles dois seres, durante todo o resto da vida daquela senhora ele a amparou, a ela a vida lhe devolveu o filhinho amado, e ainda seus últimos anos foram coroados de alegria pelo riso maravilhoso de seus netos.
O seu filhinho cumprira a promessa, mas isto só foi possível, porque quando reencarnado ele seguiu sempre o seu coração, atendeu sempre à sua intuição, guiando-se sempre pelas leis imutáveis da vida e do amor.

Ditado por Jefferson Nincks
psicografado por Luconi
em 23-07-2009

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