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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

TÃO PRÓXIMA DA PONTE ESTAVA


Tão próxima da ponte estava, parecia que seria fácil atravessá-la, do outro lado mãos luminosas se estendiam, e eu lia em seus olhos a mensagem: é hora de voltar querida, a missão terminou.

Mas como podia eu atravessar aquela ponte, nossa bem que me dava vontade, eu sentia uma enorme paz vinda do outro lado, que relva mais verde, um tom que eu nunca tinha visto, ao longe vislumbrava lírios, pareciam tão lindos, tão especialmente lindos.

No entanto, ao olhar para trás, via o meu amado, sim ele estava ali do meu lado, as lágrimas escorriam de seus olhos, ele conversava comigo, dizia o quanto me amava, o quanto precisava de mim e que as crianças embora já adultas, ainda dependiam muito de meu amor, de meu apoio, estavam começando a vida praticamente agora.

Aquele diálogo tocava meu coração, não via as meninas ali, mas ouvia o choro delas, pareciam desesperadas, mas o que elas estavam fazendo, ambas eram casadas, Clara já era mãe, um lindo bebê, de apenas seis meses, onde estaria, com quem ficara minha netinha?

Não, não podiam se desesperar, o pai precisaria muito delas, Meu Deus como atravessar esta ponte, sem olhar para trás, eles enlouquecerão de dor, a revolta tomará conta deles, então fiz um pedido: “Permita Pai que eu fique mais um pouco, apenas uns dias para eles se acostumarem, sinto que meu tempo acabou, percebo que meu cérebro esta encharcado de sangue, mas se permitires, só mais um pouco.  

As mãos estendidas se recolherão, um triste sorriso lhe apareceu no semblante, semblante que eu não conseguia ver direito, parecia que só conseguia lhe ver os olhos e o sorriso. Então ouvi: Filha, estarei do teu lado, mesmo que não me veja, lembra que mesmo por poucos dias e que por mais que já tenhas resgatado o carma final, mesmo assim poderá sentir algum desconforto, mas o Pai lhe concede o pedido, é por amor que o fazes, é por amor que te sacrificas.

Imediatamente estava novamente em meu corpo, pouca coisa lembro do tempo a mais que passei ali, ouvia sim meu marido e filhas conversarem comigo, mas como estava na UTI o tempo deles era limitado, aquele cano na minha garganta me incomodava terrivelmente, mas na maioria das vezes eu parecia que flutuava, próxima de meu corpo não nele, mas mesmo assim sentia todas as sensações.

Fiquei ali por mais três dias, no terceiro dia meu marido e filhas entrarão juntos, claro que eu não os via, mas os escutei, a todos.
Meu marido começou a fazer uma prece, e pediu com toda força da sua alma que Jesus não permitisse que eu ficasse em sofrimento,
que ele morria cada vez que me via naquele estado, que se fosse para eu ficar tetraplégica como os médicos falaram e provavelmente sem conseguir falar que Ele me levasse para uma de suas moradas, e que eu o perdoasse por estar pedindo tal coisa.

Em seguida cada um a sua vez me abraçou e eu senti o maior amor do mundo, retiraram-se e meus dois genros entraram, dois meninos que recebi como filhos, ambos me agradeceram o amor e carinho e juntos prometeram que nem por um instante meu querido companheiro sentiria solidão, pois eles não permitiriam.

Neste instante a emoção foi demais, e duas mãos iluminadas ajudaram-me a sair do corpo, carregando-me no colo atravessou aquela ponte, só depois me depositou delicadamente no chão, e eu vi queridos amigos que me aguardavam de braços abertos, mas aquelas mãos iluminadas eram de meu querido pai, que eu abracei e lavei a minha alma num choro calmo e reparador, para só depois rumarmos para a minha nova pousada.

Só consegui tratar-me a contendo e num espaço médio de tempo, pois quando retornamos da terra precisamos passar por tratamento reparador de nossas energias e também acostumarmos com as saudades dos que deixamos na terra, graças ao fato de meus queridos terem compreendido a necessidade de minha partida, terem se enchido de amor através da união e quando se lembravam de mim era sempre com sentimento de saudades sim, mas uma saudades sem revolta sem auto destruição.

Passo a minha experiência, para você que passa pela experiência dolorosa do desencarne de um ente querido, possa confortar o seu coração e ter certeza que você ajudará muito se procurar lembrar-se sempre dos momentos de alegria, sem revoltas ou arrependimentos, fazendo sempre uma prece ao Pai para que a sua energia de amor possa ajudá-lo em seu restabelecimento.


Ditado por Maria da Graça
Psicografado por Luconi
em 24-01-2011

Um comentário:

  1. Luconi,que emocionante relato!De arrepiar e não conter as lágrimas!Obrigada por compartilhar!Bjs,

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