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domingo, 28 de março de 2010

ÀS VEZES É MELHOR SER ANÔNIMO




Dizem que fui santo, que igual será difícil existir, lembram de mim como o exemplo da humildade, da caridade, do amor, do desprendimento, e mais outras tantas qualidades que já nem consigo enumerar, só estas que já citei me tornam rubro de vergonha, não sabem o quanto pesa nos meus ombros esta imagem que têm de mim.

Ora bolas, não fui santo, fui humilde sim, mas tantas vezes esta humildade vinha com certa relutância, tantas vezes me sentia cansado e só por amor ao Pai e por ter uma enorme consciência de dever é que conformado me dedicava a minha missão. 


A minha fé era enorme, assim eu achava, hoje sei que se fosse do tamanho de uma semente de mostarda tantos feitos em prol do próximo e da humanidade teria realizado.
Tinha por obrigação ter fé, acreditar, afinal eu via e não só o mundo espiritual ao meu redor como também me transportava para lugares e épocas, e então via acontecimentos passados em eras passadas.


Ora se eu não acreditasse teria que admitir que era louco, sabia que há quem muito se dá muito será pedido, então a mim muito conhecimento era mostrado.

Portador de dívidas imensas, tinha mais que por obrigação resgatá-las, o senso de dever sempre eu tive, perdoar os que me perseguiam, não era um dom não, sempre havia o Mestre querido que me lembrava às vezes que magoei as pessoas com minha ignorância, com meu orgulho, com minha radicalidade em outras eras.

Portanto perdoar era uma de minhas metas, conseguir perdoar sem guardar mágoa, entender que aquele que a mim atingia era apenas um irmão necessitado de amparo, e que muitas vezes este irmão necessitado de amparo tinha dívidas bem menores que as minhas em relação ao passado de outras vidas.

Respeito à vida, esta foi a minha primeira lição, aprender a respeitar a todo tipo de ser vivente na Terra, quantas vezes o meu ímpeto não era de exterminar certos tipos de animais, como certos insetos, mas na minha frente aparecia um grande dedo fazendo um sinal, não, não, só em último caso.

Não era o dedo de nenhum espírito não, era o de minha consciência, bem, além disso, fui muito bem assessorado, havia um irmão que não me abandonava, quando não estava próximo no plano terrestre, estava ligado a mim de tal forma, que estivesse fazendo o que fosse e aonde fosse sentia que eu ia derrapar, logo se apresentava.


 Este irmão quando eu lhe agradeci a ajuda por ter me assessorado em minha jornada, abraçando-o já com as lágrimas a molhar meu rosto, ele sorriu e com toda humildade simplesmente disse: 
Se você derrapasse, se de repente abandonasse a sua missão, o que eu acho impossível, pois bem sei da evolução que já tinhas, quando tomou a resolução de voltar a terra para resgatar aqueles débitos especiais, mas se houvesse a mínima chance de derrota sua, me diga como eu cumpriria a minha missão.

Sim meu amigo, a minha missão dependia exclusivamente da sua, nós fizemos toda a programação juntos, e muitas vezes até eu tinha pena ao ver-te cansado, caluniado, mas não poderia de demonstrar. Sabia sim que deveria de dar bons chacoalhões, para que não desistisse, este foi um dos seus mais fortes pedidos antes de reencarnar.


 Dizeste-me: amigo se vires que alguma doença da alma, teimar em me dominar, faça de tudo, o que for preciso, mas não permita que eu volte derrotado.
Claro que nesta luta não estive sozinho, claro que houve outros que muito te auxiliaram, conhecidos antigos seu, também foram trazidos espíritos que não conhecias, mas que precisavam de bom canal para cumprirem a sua missão, muita coisa foi aproveitada, ou seja conforme aparecia a oportunidade outros espíritos iam se engajando.

Portanto não me agradeça, nos agradeçamos, pois cada um de nós fez o melhor que pode, um precisava do outro, e quando você desencarnou, suspirei fundo, olhei para o infinito e disse Obrigada Pai, por ter permitido que dois espíritos tão devedores, pudessem ter a oportunidade de resgatar senão tudo, mas uma grande parte de suas dívidas.

Portanto amigo missão cumprida, agora vamos ao trabalho, existe muito por aqui, não pense que estamos de férias não, o Mestre Jesus até hoje não descansou nem pregou os olhos, portanto quem somos nós para fazê-lo.

Sim este era ele, esta a sua personalidade, forte, brincalhão, mas vi quando as lágrimas também molhavam suas faces, e ele dizia são de alegria.

Portanto meus irmãos, não quero santidade, não quero, existe tantos que são anônimos e suas luzes reluzem tanto que chego a ter que abaixar os olhos para que a luz que emanam não me cegue, nem imaginem quantos todos anônimos, conseguiram a evolução através de penosas encarnações terrestres, nem seus descendentes deles se lembram, então porque haverão de querer santificar um só, quando há tantos, depois isto não é ser santo, é apenas caminhar de encontro a evolução, é o curso natural das coisas e se nesta fui canal para tantos conhecimentos serem levados para a humanidade, em outra bem distante, destruí grande cabedal de conhecimento, levando a humanidade para a obscuridade. 


Sem contar outras tantas que não dava o mínimo valor ao conhecimento, atravancando o caminho de quem queria obtê-lo.

Bem vim para pedir isto, talvez demore para terem conhecimento desta psicografia, escolhi um aparelho anônimo, que não está ligada a nenhuma federação, centro, ou qualquer outra organização, trabalha sozinha. Mesmo sabendo que ela ficará em dúvida do que fazer com este, mas sei que aos poucos tudo se resolverá, paciência é uma das qualidades que tentei aprimorar na carne, mas acho que ainda preciso treinar mais.

Parece que terei problemas para assinar, ela realmente gosta do anonimato, foi um dos fatos que nos aproximou, mas verei se posso por enquanto usar um pseudônimo, não quero criar embaraços a ninguém.

Um grande abraço a todos que lerem, não estou pedindo para esquecerem a obra, não a obra é para ser lembrada, peço que apenas tenham em mim um irmão na caminhada da evolução, como vocês o são.

Ditado por
Irmão da Paz
psicografado por Luconi
em 25-03-10

sexta-feira, 26 de março de 2010

DEPOIMENTO DE QUEM PERDEU A OPORTUNIDADE




Tinha vinte e oito anos, vivia nas ruas, tinha familia sim, mas eles não me agüentaram, um dia saí e ao voltar as portas não mais estavam abertas. Já fazia seis anos que vivia nas ruas.
Hoje eu os entendo, não era fácil manter-me na família, alguns dias bem, de repente eu dava um jeito, sempre há um jeito para uma mente viciada, e pronto saía e só voltava quando estava completamente drogado, se não conseguia a droga então eu bebia, é bem mais barato. O pior que voltava dando uma de muito macho, até na mãe eu andei dando uns empurrões, coitada mas ela sofria bem mais quando eu socava meu irmão, até não poder mais.
Várias internações, levavam-me na marra, a polícia vinha e me encaminhava para o lugar, não durava muito, era gratuito, muita gente precisando para perderem tempo com quem não queria ajuda, ou achava que não precisava, incrível como ficamos burros, é isto mesmo completamente burros.
O pai falecera um pouco antes de me colocarem pra fora, a mãe só permitiu que me colocassem pra fora porque foi chantageada. Meus irmãos, Geovarsio e Cleonice, disseram ou ele saí ou nós saímos. É lá eu não podia ficar, mas a mãe sempre deixava guardado um prato de comida, era só eu aparecer e ela me levava, eles não ligavam, só não queriam viver o inferno que eu causava.
Aos poucos fui me distanciando de lá, então a mãe saía às ruas para me procurar, sempre com uma bela marmita, mas quando me encontrava drogado, ouvia impropérios, reclamações e se punha a chorar, não desistia sempre retornava.
Trazia roupas, cobertas, tênis, bem a maioria eu trocava por drogas, principalmente se eram novas, deixava cigarros e dizia, não se droga filho, se tiver vontade fuma, é ruim mas melhor que as drogas que você usa, sempre palavras de amor, sempre as mãos estendidas prontas para me levar para alguma instituição, era só eu querer, eu não queria.
Bem para manter o vício, eu precisava de grana, pequenos furtos eram normais, arrumei uma namorada só pra explorá-la, moradora de rua, obrigava ela se relacionar com os caras em troca de qualquer droga, ela não era drogada, mas claro que eu a viciei, precisava que ela sentisse falta da maldita, para que aceitasse se prostituir, eu era um canalha.
Não nem sempre fui assim, até os dezesseis anos era o menino perfeito, apesar de não gostar muito de trabalhar por pouco dinheiro, eu o fazia era preciso, a noite eu estudava e passava sempre, todo ano, até o primeiro colegial era assim.
Um dia peguei umas amizades, eu sabia que eram da pesada, mas andavam tão bem vestidos, ofereciam um trampo de entrega, ganhava bem, muito bem, eu aceitei e falei para o pai que era ofice-boy, ele era simplório, eu nunca tinha dado problemas ele acreditou. Tudo ia bem até o dia que eu decidi experimentar as entregas, bem não precisa falar mais nada, o chefe me deu uma surra de criar bicho, me fez pagar o que consumira e depois disse que eu estava fora, quem trabalha com isso não pode usar otário, bem eu era muito mais otário do que imaginara, hoje eu sei.
Na rua, já com vinte e oito anos, parecia ter uns quarenta, sujo, magro, envelhecido pelo sol, pela noites não dormidas,
um dia nem eu sei porque um cara apareceu de moto e atirou em todo mundo, eu acho, porque vi dois caírem antes de mim, bem fiquei sabendo depois que acertaram a minha cabeça, dez dias de coma, mas o corpo era frágil, os órgãos faliram e eu desencarnei.
Um ano fiquei entre a minha casa e a rua, nove anos fiquei só em casa, foram o suficiente para eu ver milhares de vezes minha mãe chorar por mim, e mais outras tantas, meus irmãos que eu pensava que me odiavam, conversando sobre mim com certa dó e com sentimento de culpa, remorso mesmo. Mesmo estando já minha irmã casada ela vinha a casa de minha mãe e muitas vezes para desabafar, e um dia meu irmão a levou para um centro, e lá eles começaram a rezar por mim.
Eu não ia, mas sentia que eles estavam rezando por mim, porque subitamente eu me sentia bem, em paz, e os vultos negros que me espreitavam, como por encanto desapareciam,
além disso mamãe também se acalmava, eu já havia percebido que se eu me aproximasse muito dela, ela tinha fortes dores de cabeça, então para não lhe fazer mal eu me mantinha a distância, mas não saía de casa.
Bem quando fazia exatamente doze anos que eu estava ali, finalmente eu resolvi ouvir o irmão que sempre vinha me ver,
ele havia me achado graças as preces de meus irmãos, antes eu não o ouvia pois tinha medo dele ser o executor das leis de Deus, eu achava que ia ser castigado por ter me drogado e por ter maltratado minha família e induzido minha namorada às drogas, apesar que uns três anos antes de eu morrer, ela havia ido por vontade própria para uma casa de desintoxicação, e mais tarde soube que ela estava bem, trabalhando mesmo.
Desta vez resolvi enfrentar o castigo, não ia fugir de Deus a eternidade toda, mas quando ele começou a falar suas palavras foram doces, ele me ofereceu tratamento, e me explicou o quando minhas energias doentias faziam mal ao ambiente, não eu não queria fazer mais mal a minha mãe e nem ao meu irmão que sempre rezava por mim, então decidi ir.
Acompanhei o irmão, e durante o curto trajeto comecei a chorar, chorei copiosamente por dias, era o filho que retornava ao lar, era o filho recebendo o amor do Pai através dos seus irmãos, já tinha parado de chorar, mas desabei novamente quando um dia na enfermaria que me encontrava, apareceu no pé de minha cama, meu pai, e ainda por cima minha avó, ambos sorrindo me abraçando, não tinha coração que agüentasse, que vergonha eu sentia.
Sim meus irmãos, hoje já faz quinze anos que parti, três que permiti que me socorressem, olho para mim e vejo aquele menino de dezesseis anos, minha aparência rejuvenesceu, mamãe ainda em terra, costuma dizer aos meus irmãos, sempre que eu sonho com ele, o vejo como antes do vício, como quando seu pai ainda era vivo.
Hoje trabalho muito pouco perto de tudo que tenho recebido destes irmãos maravilhosos, faço assistência aos que desencarnam vítimas de drogas ou alcoolismo, mas já estou preparado para dentro em breve trabalhar no planeta, nas ruas mesmo, tentando abrir os olhos dos mais desavisados, suavizando as dores das famílias e agindo do lado dos profissionais da terra que trabalham nas entidades que ajudam os viciados.
Esta é a minha vergonhosa história, a história de alguém que jogou sua encarnação no lixo, indo ao edifício que cuida das encarnações, vi que se não tivesse desviado tanto do meu caminho, eu cumpriria minha missão e resgataria alguns débitos de encarnações passadas, trabalhando como auxiliar de enfermagem ou enfermeiro, junto a idosos, pois com eles é a minha maior dívida. Sem contar que na programação estava uma companheira de luta, que seria meu esteio, aquela mesma que eu levei as drogas, mas que graças a sua boa formação e fé, conseguiu sair. Hoje encarnada ela trabalha em um hospital, é auxiliar de enfermagem, bem casou, mas sente-se como se algo estivesse faltando, por melhor que é o seu marido, sente a minha falta, jamais me esqueceu, é outra alma que ora sempre por mim. Os filhos que eu teria, bem encarnaram dois através de meu irmão, e uma menina encarnou através de minha namorada, os outros dois filhos que teve já fazem parte da programação reencarnatória do seu marido.
Pois é, tudo foi arranjado, mas não era o melhor, o melhor era eu ter seguido a conduta certa, não ter jogado fora a oportunidade de importante reparo espiritual.
Conto tudo isto para vocês verem o quando cada um é importante na engrenagem Divina, ninguém deve jogar a sua chance fora, ninguém.
Gostaria de deixar bem claro que o tempo que passei perdido em casa, foi muito pouco perto dos irmãos que vejo sem luz, no umbral ou nas trevas há mais de século. A ajuda foi rápida por um único motivo eu não tinha ódio em meu coração, eu nem por um momento pensei em meu assassino com ódio, pelo contrário eu me esqueci dele, achei mesmo que o castigo era merecido, pois havia feito muito mal a muitos nesta Terra.
Dei este depoimento no único intuito de poder ajudar, quem sabe você não está jogando fora a sua encarnação, por algum motivo que no momento lhe parece muito importante, pare, reflita. Lembre-se que você não é o único ser vivente neste planeta, e nem o único ser vivente nesta galáxia, que muitos dependem de você, todo um programa foi minuciosamente traçado para que todos pudessem evoluir harmoniosamente.
Que a paz do Senhor esteja com todos, não darei meu nome correto, pois ainda tenho familiares encarnados e não quero causar mais dor do que já causei.

Ditado por Jailson
psicografado por Luconi
em 20-03-2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

NOS BRAÇOS DE MARIA




Enternecida a criança para diante do altar

Acompanha com os olhos toda a imagem de Jesus pregada no madeiro
Deixa-se ficar, olhos lacrimejantes convertidos em emoção
Com a mãozinha vai fazendo o sinal de uma oração
Há pregos... sangue nas mãos... uma lágrima sofrida... um pedido de perdão
_Pai do Céu, pregaram Teu Filho numa cruz!
E ajoelha-se numa confusão de pensamentos
Longe bem longe há um regaço árvores em frutos animais pastando
Recorda do catecismo das imagens do Paraíso
Jesus nos braços de Maria os três reis magos os presentes nas mãos
Os lábios tremem e intimamente a criança prova do cálice de sangue
Brotam de seus olhos agora as lágrimas
_ Há gente morrendo, Jesus! Pai, mãe, irmãos...
E a voz continua numa triste fala entrecortada de soluços
_Por onde anda a Fé dos homens? Amanhã morrerão também?
Depois olha novamente o Cristo no Calvário
Levanta-se em prece faz o sinal da cruz joga-lhe beijinho
Então segura da mão de Deus a criança prossegue serena

Autoria de Teresa Cristina "flordecaju"

segunda-feira, 22 de março de 2010

AMIGO MUITO OBRIGADO




Foi na década de 80 que eu e minha esposa decidimos nos mudar para São Paulo, eu estava com sérias dificuldades para arrumar emprego, era tapeceiro de autos e dos bons, em São Paulo teria chance de ganhos maiores, depois de alguns ensaios, nos arriscamos, pegamos a filharada e viemos.

Não digo que foi fácil porque não foi, bate perna aqui, bate perna ali, o aluguel da casa para nosso bolso nada tinha de barato, mas um dia a procura de trabalho fui informado de uma tapeçaria que era de porte médio, nada parecida com as que eu arrumava biquinhos para fazer, além de pequenas, pagavam pouco, pois cobravam pouco, nem sempre tendo o material certo para fazer o trabalho.
Acendeu-me a esperança, não custava tentar, chegando lá me deparei com o dono,
rapaz quase da minha idade eu até hoje acho que ele não estava procurando ninguém para trabalhar, mas tapeceiro bom era difícil, profissional que para ser formado tem que iniciar na profissão como aprendiz desde moço, e ter como principal qualidade o capricho. Ele ainda disse vamos ver pode ficar faremos uma experiência, bem agradeci a Deus, sempre fui de ter fé, apesar de não praticar.

Sabia que havia ali mais que o acaso, porque a simpatia foi mútua, e tinha que ser nós éramos muito parecidos, e não digo de gênio, mas sim no jeito e fisicamente, tinha alguma coisa em mim que era igual nele, não sei, até a esposa dele não só de imediato como depois quando eu estava de lado ou de costas se confundia, vinha de longe chamando o nome dele e quando chegava perto dizia, me enganei de novo.
Imaginem os colegas, vinham perguntar se eu era parente, ao descobrirem que não era um prato cheio para a gozação.
Bem enfim ele não era de falar muito eu também não era, mas criou-se uma confiança mútua, sabia que ele não falharia comigo e da parte dele o mesmo.
Estava tudo bem, trabalhava em paz, as coisas em casa melhoraram, mas um dia um pequeno problema cardíaco de minha esposa piorou, eu faria tudo por ela, e o médico assegurou que o interior era melhor, bem não era tão longe assim, faríamos uma experiência, ela iria com as crianças e eu ficaria numa pensão perto do trabalho para não gastar com condução, cada quinze dias iria vê-la, se desse, senão suma vez por mês e em algum feriado prolongado.

Assim foi feito, logo minha esposa mostrou melhoras, eu sentia sua falta e das crianças, mas lá eu não teria trabalho, eu não aluguei um quarto, aluguei uma vaga, dormia num quarto com beliches. Ali éramos quatro, mas os outros eram farristas, bebiam, e eu dormia muito mal, mas haveria de encontrar um lugar melhor.

Bem, chegou finalmente um feriado prolongado, três dias eu não suportava mais a saudades, ao invés de viajar a noite, iria no outro dia cedo, afinal eram três dias, estava ansioso que até comentei com a esposa do patrão, ela trabalhava conosco no escritório, parecia uma boa pessoa mas era um tanto enérgica, ela cuidava do nosso pagamento, e era muito correta, ao contrário do patrão sempre puxava conversa na hora de nos pagar.
 Eu não era de conversa, mas aquele dia eu estava feliz, então na hora da saída peguei meu pagamento, falei-lhe da minha viagem e ela me perguntou vai agora mesmo não vai? Não eu não ia, ela mostrou desapontamento, e eu lhe disse que estava cansado e ia junto com os colegas tomar umas cervejas, depois iria dormir e no dia seguinte bem cedo iria.
Nestas alturas todos os colegas estavam a minha volta, e ela disse : - Não vão beber no bar, em ambiente de bar sempre tem coisa ruim, vão então para casa de quem mora mais perto, em casa não tem perigo. Mas melhor mesmo que fossem pra suas casas.
Qual o quê todos deram risada, beber em casa não tem graça, nestas alturas ela percebeu que íamos levar o Joãozinho, que tinha quatorze anos. Nossa como ficou brava, disse que ele era menor, que nós estávamos ensinando o menino a beber, e repetiu várias vezes vão para casa.
Bem aquela mulher “que todo mundo saiu dizendo como ela enche o saco”, estava tanto a nós muito mais que um conselho, ninguém a ouviu e eu só bem mais tarde, entendi que ela fazia o papel de um anjo, tentando desviar-nos do mal.

Fomos ao tal bar, bebemos e eu quando bebia ficava muito alegre, brincava com todo mundo, com quem conhecia e não conhecia, os colegas se divertiam, eu sempre tão calado, tão sério, eles nunca tinham visto aquele lado meu. As horas passaram muito rápido, eu perdi a noção do tempo, meus colegas aos poucos foram indo embora, e eu fiquei só, a pensão era próxima.
Havia dois homens no bar que eu conhecia de vista, talvez da pensão, nem me lembrei que os caras da pensão não eram confiáveis, brinquei com eles, aquela brincadeira sem graça de bêbado, eles mandaram o palhaço calar a boca, eu não calava, então eles disseram que eles calariam. Nestas alturas alguém me disse que era melhor ir embora, enquanto as coisas estavam naquele pé, eu bêbado, burro e teimoso, ainda levei na brincadeira. Bem a reação dos dois homens fazendo sinal que iam cortar minha garganta, parece que me acordou, paguei o que devia e caí fora.
O ar da noite melhorou um pouco a bebedeira e então percebi que estava sendo seguido, olhei para trás vi os homens, comecei a correr, atravessei a rua estava próximo da pensão, corri para lá, alcancei a porta, na pressa não achava a chave, bati, bati muito, ninguém abriu, eu não podia esperar mais, continuei a correr, eu nem sabia que podia correr tanto. Mas hoje eu sei que eu não corria tanto, eles é que estavam esperando eu me afastar das ruas que tinham algum movimento. Quando alcancei a Guaicurus, na altura em que já não havia movimento,devia ser tarde, bem tarde, eles me alcançaram. Um me segurou o outro bateu, então percebi que eles estavam no bar a mando de alguém da pensão, por isso não abriram a porta, exigindo silêncio para poder dormir, brigando porque haviam roubado algumas coisas minhas, comprei inimigo mortal. Bem, percebi isso porque um deles abriu minha mochila, e foi jogando tudo no chão, até encontrar lá no fundo o canivete.
Sim, eu tinha um canivete que minha mãe me deu quando vim morar em São Paulo, ela disse que era para me defender, ele sabia que estava ali, ele sabia, e foi com ele que me atingiu.
Desmaiei imediatamente, pelo menos eu acho meio consciente devia estar porque após um tempo que me pareceu uma eternidade, a voz de uma mulher me disse: Aguenta firme que vou buscar ajuda.
Outro anjo, novamente uma eternidade, desta vez mais calmo, vi toda a minha família, meus filhos, minha amada esposa, minha mãe, pessoas que dependiam de mim, e eu estava ali estirado no chão da rua, a moça voltou e senti que estava em uma ambulância.
Percebi que estava no Hospital, as forças me faltavam, estava tão fraco, percebi que o anjo estava perto daquela cama que andava, e senti que era o fim, não tive pensamentos de raiva, ou revolta, só mágoa de mim, porque não viajei direto depois do trabalho, aí na hora derradeira senti muita paz, lembrei-me de pedir para entrar, então disse: Jesus abre as portas que eu to chegando.

E Ele abriu sim, porque fui assistido quase imediatamente após o desencarne, e se hoje eu escrevo tudo isso, é para dizer que aquele cara, aquele cara, que um dia me permitiu trabalhar para ter o pão de cada dia, aquele cara que eu confiava, não me desapontou, não me abandonou não. Semanas depois quando eu não tinha ainda noção de tempo, não dava sossego para irmãos que me atendiam, preocupado que estava com a minha família, afinal minha esposa teria feito como, ela não tinha condições financeiras, nem para o enterro.
Vendo que eu não sossegaria o espírito, um deles sentou-se do meu lado e disse-me: Sabe aquele irmão que era seu patrão, e que você sentia que poderia contar sempre?
Então meu irmão ele ajeitou tudo e sossega que ele fará o que puder para sua esposa receber alguma pensão do governo, vai depender muito dela. Agora sossega o teu espírito, que a missão deste irmão em relação a você era exatamente essa, te amparar caso você precisasse, nem que fosse na situação do Adeus final.

Por isso, eu venho aqui, para em primeiro lugar agradecer você meu irmão, que me estendeu a mão e não me negou ajuda, mesmo estando meu corpo morto, você cuidou de mim, sim éramos parecidos, mas este não foi o motivo, é que você sempre agiu como pai para aqueles que trabalhavam com você. Muito obrigada e esteja certo que um dia poderei retribuir a altura.
Em segundo lugar, para alertar quando alguém mesmo que lhe pareça uma bobagem, lhe der um conselho pare, reflita, faça uma prece, e siga o seu coração, pois se eu tivesse seguido, teria tido mais alguns bons anos de vida. Não que este carma não estivesse em meu caminho, mas se eu vencesse aquele momento evitaria a queda e não daria espaço, muita coisa teria mudado.
Em terceiro lugar, não peço para saber dos meus porque bem sei deles, tenho permissão para visitá-los, mas te digo que entre os meus tem gente precisando de pai, apesar de agora já serem adultos, mas isto a vida irá ensinar.
Não cito nomes, porque não quero causar dor, saudades, se um dia tiver oportunidade, se Deus prover o acaso eles terão conhecimento desta, agora sigo em paz, e se tiver oportunidade virei vê-los, agradeço a Márcia por ter me cedido seu tempo, e a esse irmão que está do meu lado me ajudando, pois como sabe eu de escrita não sei muito, mas estou aprendendo, sabe aquela consciência do aprendizado de outras encarnações está voltando, só por isso consegui me expressar.
Se puder voltarei mais vezes, mas para dar testemunhos do meu trabalho, até minha próxima reencarnação, que talvez ainda demore alguns anos, mas vindo ou não sempre que puder os visitarei do amigo de ontem, hoje e sempre.

Ditado por Edgar
psicografado por Luconi
em 19-02-10