Um poema eu te daria,
se fosse eu um poeta,
mas sou apenas um matuto,
nada versado nas letras.
Nascido lá no sertão,
sem beira nem eira,
aprendi com meus pais a lida,
de todo sertanejo.
Aprendi a não escutar a fome,
às vezes a esquecer a sede,
de olho aberto sonhar,
sonho com realidade misturar.
Do amor sempre fugi,
para me arrastar na vida,
preferi me arrastar sozinho,
para não chorar por quem amo.
O meu não é sofrimento,
é simplesmente a minha vida,
com pouco se contentar,
sabendo que o muito não irei alcançar.
Livre faço o que quero,
para ajudar as mangas arregaço,
auxílio o viver dos outros,
assim feliz fico.
Pra viver não há melhor razão,
amenizar os sofrimentos do meu povo,
dinheiro não tenho não,
então dou a mim mesmo de coração.
Assim este matuto viveu,
até que meia idade morreu,
de família doente cuidei,
a tuberculose peguei.
Então me recolhi,
não ia pra ninguém passar,
mas alma boa trazia o que comer e beber,
até que por fim parti.
Então virou realidade o sonho,
vi-me em cama macia,
pela janela a paisagem era linda,
até arco íris tinha!
Em pouco tempo me recuperei,
mas conta me dei,
de contas que precisava acertar,
então nada de boa vida,
rapidinho me encaixei,
a serviço do povo do sertão,
fazendo o permitido,
para a fé jamais fraquejar em seus corações.
Meu irmão a única forma de vencer uma batalha é lutando, arregace as mangas e ofereça seu auxílio a quem necessitar.
ditado por Mulato
psicografado por Luconi
em 19-11-2018


