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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

BENDITO SEJAM OS ANÔNIMOS





 Não fui perfeita, não fui santa, estive longe de ser aquilo que um dia me propus.
Não alcancei as metas há tanto tempo traçadas.
Deixei-me levar pela inconstância dos sentimentos que povoavam os meus dias.
Acreditei lutar a mais justa das lutas, mas tarde demais percebi que era só ilusão. Os ideais eram belos, mas por detrás dos idealistas existiam interesses bem diversos àqueles ideais.

Eu não percebi, era cega e surda a razão, para os meus ídolos eu sempre tinha uma boa desculpa, até que no final usei o velho chavão os fins justificam os meios, passando por cima de meus verdadeiros valores.

É antes tivesse sido uma anônima, aquelas que eu tanto desprezava por achá-las acomodadas à situação injusta sem nada fazerem. Aquelas tais anônimas, muitas plantavam sementes de amor, cultivavam a paciência e não se afastavam de seus valores, dignificavam seus lares e suas consciências não precisavam arrumar desculpa nenhuma para se calarem, pois estavam em paz.

Elas sofriam toda consequência da sociedade injusta, mas pacienciosas sabiam ser a estaca principal de seus lares. Davam a seus lares o alicerce firme e nem sempre tinham um companheiro que as valorizavam e as acompanhavam nos sentimentos nobres.

Mas, mesmo assim, elas persistiam magoadas, cansadas, injustiçadas, não deixavam transparecer, pois o amor que sentiam e a fé eram bem maiores que qualquer ferida de seus corações. Partiram, fizeram a grande viagem, julgando-se um nada, com chuvas de pétalas de rosas foram recebidas e elas ainda achavam que não mereciam.

Eu? Uma revolucionaria que serviu de instrumento útil na mão de quem soube usar a minha paixão por justiça, paixão cega, acabei ajudando a levar ao poder quem tanto mal ao povo, que eu defendia, fez.

Eu? Descobri tarde demais em vida que havia me enganado e como quem planta colhe conforme plantou, acabei sentindo vergonha de mim mesma, acabei numa vala vítima de quem queria calar a minha boca.

Como estou? Depois de mais de trinta anos, caindo em mim finalmente que os erros eram só meus e de mais ninguém,  me arrependendo deles, acabei concluindo que meu assassinato nada mais fora que consequência dos meus erros e finalmente o ódio passara.

Então irmãos me recolheram, e hoje após dez anos de tratamento, estudos e trabalho junto ao próximo, estou aqui passando este relato.

Bendita sejam as guerreiras anônimas da vida, aquelas que ninguém valoriza, ninguém ouve, aquelas que são o porto seguro de todos que as procuram, bendita sejam.

Hoje trabalho muito para um dia poder retornar e ter a honra de ser uma delas, uma guerreira anônima, apenas o alicerce para aqueles que precisarem.

Passo a vocês este relato, por que nos dias de hoje, mais e mais, assistimos a desvalorização daqueles que, homens ou mulheres, se sacrificam em prol de um bem maior que é o cuidar daqueles que a vida lhes deu sob tutela.


ditado por Zelda
psicografado por Luconi

em 11-09-2014

5 comentários:

  1. Que maravilhosa essa mensagem,Luconi! Perfeitas palavras e sentido! bjs, tudo de bom,chica

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  2. Luconi, que msg mais emocionante! Uma lição pra todos nós! bjs,

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  3. Luconi, com todo respeito: caramba! Que texto lindo! Nossa, eu me lembrei tanto de minha mãe enquanto lia... ela foi uma anônima dona de casa e mãe, que não trabalhou fora para cuidar de nós, e que sempre fez o que pode para que tivéssemos o melhor...uma verdadeira lição de vida, seu texto. E psicografado! Incrível!
    Um grande abraço, adorei ler!

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  4. ô amada, estou aqui numa emoção só... quanta beleza Deus nos envia... quanta luz, quanta bondade, juntas... bjuuu de tudo de bom sempre

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